Monday, 23 de May de 2022

Exploração mineral da AngloGold tem afetado o abastecimento de água em Santa Bárbara, Minas Gerais

Moradores da comunidade de Santa Bárbara estão relatando os impactos ambientais da exploração mineral da AngloGold e como as atividades da mineradora estão afetando o abastecimento de água

Moradores da comunidade de Santa Bárbara estão relatando os impactos ambientais da exploração mineral da AngloGold e como as atividades da mineradora estão afetando o abastecimento de água

Durante esta última sexta-feira, (04/02), os moradores de Santa Bárbara, em Minas Gerais, comentaram sobre os impactos ambientais que estão sendo causados pela exploração da AngloGold em suas atividades no setor da mineração na região. Além disso, a população reclama de como as operações da mineradora estão afetando o abastecimento de água e comprometendo as nascentes do rio que fica localizado na região do Santuário do Caraça.

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Nascentes do rio e abastecimento de água na comunidade de Santa Bárbara são afetados pelas atividades de mineração da AngloGold na região 

A AngloGold é uma das maiores empresas no ramo da mineração no Brasil e conta com uma grande exploração mineral com foco na extração de ouro, principalmente no estado de Minas Gerais. Agora, a comunidade de Santa Bárbara vem relatando que as atividades da empresa estão comprometendo as nascentes do rio localizado na região do Santuário do Caraça e afetando o abastecimento de água das famílias, além de causar uma série de impactos ambientais na região. 

O Movimento pela Soberania Popular da Mineração também destacou que os moradores estão sendo afetados com uma quantidade enorme de poeira e têm percebido rachaduras em suas casas por causa da operação da empresa. No entanto, o principal ponto negativo dessa exploração mineral é o impacto negativo no abastecimento de água, recurso essencial para a sobrevivência das famílias que vivem na comunidade de Santa Bárbara. 

O biólogo Luiz Paulo Siqueira, militante do MAM e da causa ambiental em Minas Gerais, comentou sobre a situação e destacou que “Além dessa relação conflituosa do secamento de nascentes, da contaminação de metais pesados seja na água, no ar, no solo, as comunidades agora estão enfrentando um novo problema, que é a instabilidade do depósito de rejeitos sapé na mina do Córrego do Sítio I. A empresa não tem veiculado para a comunidade, ela isolou toda a área, tem proibido os trabalhadores de circular na região e tem adotado algumas ações emergenciais. A questão é tão séria que a AngloGold suspendeu operação de ouro ali próximo a região, desativou o refeitório e toda a área administrativa que tinha abaixo do depósito de rejeitos, mas não deu nenhum informe a comunidade. É um depósito enorme, que se ele de fato desmoronar vai destruir aquela região e vai chegar até o Rio Conceição”.

AngloGold divulga nota em resposta às reclamações da comunidade de Santa Bárbara sobre as suas atividades na mineração 

A AngloGold, após muita pressão exercida pelos moradores da região em Minas Gerais, divulgou uma nota em que afirma que está agindo de acordo com as normas, respeitando a comunidade e minimizando os impactos ambientais nas suas operações da região. Além disso, a empresa garantiu que as suas barragens continuam seguras e estáveis e que o diálogo com a comunidade é constante e disse ainda que, apesar dos temporais constantes durante todo o mês de janeiro, garante que as estruturas estão seguras.

Ainda em sua nota divulgada recentemente, a companhia afirmou que, a partir do dia 10 de janeiro, técnicos e engenheiros da companhia começaram a atuar na área com maquinário para as obras de reparo, visando garantir a segurança e menos impactos ambientais em suas atividades da mineração na região. 

No entanto, a comunidade de Santa Bárbara, em Minas Gerais, segue lutando por novas fiscalizações e por medidas que devem ser tomadas para garantir que o abastecimento de água das famílias não seja afetado pela exploração mineral da empresa. O que se espera agora é que a AngloGold tome medidas cabíveis para minimizar esse problema na região.

Ruth Rodrigues
Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.