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Trabalhadores de Goiás protestam pelos riscos das empresas de mineração, como a Votorantim, na região

agosto 29, 2022 às 6:12 pm
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empresas de mineração
Empresas de mineração (Reprodução: divulgação)

O setor de mineração continua ativo no Brasil há muitos séculos, por isso, grandes empresas de mineração têm fomentado suas atividades em diversas regiões do país. Em Goiás, que é um dos quatro grandes estados mineradores, temos uma grande variedade de minérios exploradores.

Entretanto, assim como no resto do país, o grande lucro dos empreendimentos também é acompanhado por um rastro de destruição, além de diferentes impactos à saúde da população e aos trabalhadores envolvidos, e isso é muitas vezes negligenciado pelas empresas de mineração. Exceto os pólos do Ouvidor e Catalão, os demais pólos mineradores estão localizados no norte goiano, em municípios como Niquelandia, Pilar, Barro Alto, Crixás, Minaçu e Alto Horizonte. Sendo assim, as características de cada tipo de exploração realizadas nestas lugares, assim como seus possíveis efeitos, são alvos de alerta para síndicas, pesquisas e movimentos sociais, que buscam por melhorias nas condições de trabalho.

Dessa forma, Ricardo Junior de Assis, pesquisador e coordenador do programa de pós-graduação em Geografia na Universidade Estadual de Goiás (UEG), afirma que a extração de minério de ferro no norte goiano é algo histórico. Portanto, são mais de 300 anos de mineração em distintas escalas, desde o garimpo até os mega empreendimentos atuais das empresas de mineração da região. Para ele, a região pode ser considerada um território de degradação do trabalho, principalmente para quem está exposto a contaminação por amônia nos municípios de Niquelândia e Barro Alto, além dos afetados pelos inúmeros problemas causados pela extração a céu aberto de amianto em Minaçu. Devido a isso, diversas intercorrências já foram relatadas ao Ministério Público e órgãos de fiscalização.

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Grandes empresas de mineração possuem interesse no Níquel de Goiás

Na pesquisa da cidade de Niquelândia, com 48 mil habitantes, a extração de níquel é uma das grandes atividades econômicas locais. Ela tem um grande histórico de mineração, que já vem desde os tempos dos bandeirões e, no fim do século passado, ganhou destaque por ter uma das maiores jazidas de níquel do mundo. Devido a isso, grandes empresas de mineração como a CNT (Companhia Níquel Tocantins), do Grupo Votorantim, passaram a operar na cidade desde a década de 1980, atuando em minas a céu aberto e subterrâneas. Neste caso, o beneficiamento do nível foi marcado pela utilização e dispersão no meio ambiente de produtos químicos altamente perigosos, cujos efeitos são lembrados por moradores da região.

Cícero Joventino de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativistas de Barro Alto, relata que a amônia causou diversos sintomas aos moradores, como dor nos olhos, dor de cabeça, além de outros problemas. Ele fala que muitas pessoas perderam peso no processo, e culpa  Votorantim pela negligência com a saúde da população. Em 2016, a Votorantim Metais suspendeu por tempo indeterminado suas atividades em Niquelândia, alegando prejuízos com o alto custo da operação, em um processo rápido e contestado até hoje. Segundo Oliveira, a empresa fechou “de uma hora para outra”, ou seja, não comunicou ninguém sobre o ocorrido, e nem realizou o acompanhamento dos trabalhadores afetados na região, que terminaram suas jornadas com problemas financeiros e de saúde.

Hoje, quem comandou as operações em Niquelândia foi uma das empresas de mineração mais conhecidas do ramo, a Anglo American, que produz e exporta  ferro-níquel, obtidos em processos menos ofensivos do que o níquel isolado, conforme Oliveira. Além disso, ele afirma que a empresa possui um diálogo mais eficiente com os moradores da região, pois oferece uma rede de proteção à saúde dos trabalhadores e seus familiares, que são frequentemente contaminados.

Conforme dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), as reservas de níquel em Goiás representam 37,8% do total do país, seguidas por Pará (33,9%) e Piauí (15,9%). Assim como diversos outros minérios brasileiros, o foco da extração é a exportação. Hoje, o complexo de NIquelândia usa fornos elétricos para redução do metal, com capacidade de 10 mil toneladas por ano.

Trabalhadores da mineração se levantam contra riscos e “descasos” em Goiás

Canal: Brasil de FATO

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