Friday, 03 de December de 2021

Criada recentemente, Cooperativa dos Mineradores do Vale do Guaporé tem ganhado destaque no setor de mineração

Fundada há pouco tempo, Cooperativa dos Mineradores do Vale do Guaporé está se igualando com a Vale Mineradora e a Nexa Resources, nomes gigantescos na mineração

Mesmo tendo sido fundada há pouco mais de um ano, a Cooperativa dos Mineradores do Vale do Guaporé está se igualando com a Vale Mineradora e a Nexa Resources, nomes gigantescos na mineração

Quando falamos em Mineração, um dos primeiros nomes que vem à nossa mente é sobre a Vale Mineradora, Nexa Resources e a Anglo American. Afinal, são consideradas a primordiais para o funcionamento desse setor no Brasil. Entretanto, essa situação pode estar prestes a ser modificada, graças a parceria entre dois ex-servidores públicos, que juntos criaram a Cooperativa dos Mineradores do Vale do Guaporé. Até esse sábado, (23/10), a empresa recém-criada ocupa o 5º lugar no ranking de mineradoras com área requeridas, competindo diretamente com outras gigantes no mercado, que atuam há mais tempo.

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Como a Cooperativa dos Mineradores do Vale do Guaporé conta com números grandiosos e áreas ricas em minerais na região Amazônica?

Não é segredo para ninguém que a mineradora Vale detém de um grande poder no setor de mineração, no quesito exploração de cobre, diamante e ouro. No entanto, mesmo saindo da a pequena cidade de Conquista d’Oeste (MT), dois homens estão conseguindo conquistar cada vez mais espaço no ramo, mesmo atuando há menos de 12 meses. Em suma, o projeto possui resultados grandiosos, porém, a Cooperativa dos Mineradores do Vale do Guaporé atua conforme o modelo de concessão de áreas desenhado para garimpeiros.

Isto é, a Cooperativa segue os mesmos padrões estabelecidos para os garimpeiros artesanais, que trabalham utilizando poucos recursos e em territórios menores. Para possuir tamanha proporção, a Cooperativa Mineradores do Vale do Guaporé buscou pelas PLGs (permissões de lavra garimpeira). Através dessas permissões, é o modo que as mineradoras adquirem determinadas áreas de mineração, com menos burocracia, principalmente no que diz respeito às leis ambientais.

Quando analisada atentamente, é possível identificar através dos dados disponíveis no Sistema de Informação Geográfica da Mineração (Sigmine), da Agência Nacional de Mineração (ANM), que a companhia soma 2,4 milhões de hectares requeridos. Tal valor equivale a, aproximadamente, 25 blocos, onde cada um possa vir a ter mais que 10 mil hectares.

Assim como as demais mineradoras, a prática de mineração pela Vale do Guaporé pode ter um impacto negativo para a Amazônia?

Um dos blocos pertencentes à mineradora está situado em uma área bastante sensível da Amazônia. Dentre os 25 blocos, esse possui cerca de 330 mil hectares, ocupando uma área de extrema sensibilidade, onde habitam os indígenas Piripkura, considerado os últimos sobreviventes da etnia, buscam sobreviver as invasões dos territórios Zoró e Aripuanã. No entanto, há quem discorde totalmente quanto a veracidade dessas PLGs sejam ilegais.

Segundo Paulo de Tarso Moreira Oliveira, procurador da República, “é uma distorção absurda e os riscos socioambientais são altíssimos, porque, na prática, é um empreendimento de grande porte que acaba se livrando de licenciamento e pesquisa prévia, camuflado de atividade artesanal”.

Portanto, uma das maiores preocupações quanto à exploração mineral na região Amazônica, é no que diz respeito as reservas indígenas. Além disso, quando praticado de forma errônea, as companhias que constituem o setor mineral podem acabar com o meio ambiente. Por esse e outros motivos, a importância da sustentabilidade e as leis serem seguidas de forma mais rigorosas.

Ruth Rodrigues
Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.