Friday, 24 de September de 2021

Para reduzir a emissão de carbono nas siderúrgicas, Vale lança ‘briquete verde’

A Vale, gigante na mineração, lança o “briquete verde”, produto capaz de reduzir a emissão de gases do efeito estufa, podendo ser revolucionário para as siderúrgicas

A Vale, gigante na mineração, lança o “briquete verde”, produto capaz de reduzir a emissão de gases do efeito estufa, podendo ser revolucionário para as siderúrgicas

Após quase 20 anos em fase de desenvolvimento, a multinacional Vale apresentou nessa quinta-feira, 09, um produto capaz de reduzir a emissão de gases do efeito estufa (GEE) em até 10%. O produto foi apresentado no decorrer de uma reunião onde estavam presentes, analistas do mercado. A ideia é que a invenção seja utilizada pelas siderúrgicas na produção de aço. O briquete verde, como foi chamado, possui em sua composição, areia dos rejeitos da mineração e minério de ferro. Um detalhe interessante desse produto é que ele é bastante resistente a temperaturas altas, então, poderá ser usado no forno sem se desintegrar.

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Como o briquete verde da Vale irá reduzir a emissão de carbono liberado pelas siderúrgicas?

O produto, que demorou quase duas décadas para ficar pronto, será de grande importância para o siderurgista. O briquete deverá ser utilizado na etapa que antecede à produção do aço, onde irá ocorrer uma aglomeração do minério de ferro, podendo causar um grande impacto na emissão de gases do efeito estufa. Assim, a dependência da sintetização será reduzida, conforme ocorre a redução na emissão dos gases do efeito estufa.

A temperatura desejada para ocorrer o processo de sintetização é na média de 1.300 ºC. Dessa forma, até que alcance a temperatura desejada, será necessário utilizar uma quantidade considerável de combustíveis fósseis. Mas, para reverter esse problema, o briquete verde da Vale poderá ser a solução ideal. O produto desenvolvido pela mineradora demanda uma menor quantidade de energia, pois se trata de um aglomerado frio, onde não ocorrerá a queima, mas sim, ficará em uma temperatura variando de 200 entre ºC.

A invenção desenvolvida pela empresa de mineração ainda consegui reduzir dois outros tipos de gases, como o óxido de nitrogênio (NOX) e o dióxido de enxofre (SOX). Além disso, pode reduzir a emissão de outros tipos de partículas e outro fato que deixa o briquete ainda mais interessante, é que ele não necessita de água em sua produção.

Quando a Vale irá começar a produção do briquete verde?

O projeto começou a ser desenvolvido em Vitória, no Espírito Santo, no ano de 2004. Como estamos falando de uma pesquisa com alto nível, não haveria como ter sido lançado antes, visto que diversos testes precisam ser realizados, para que o produto possa ser manuseado pelos profissionais. A ideia inicial é confeccionar o produto, nas usinas 1 e 2 de pelotização, em Vitória – ES, onde os estudos foram desenvolvidos.

Minas Gerais também está recebendo uma planta, para que futuramente, possa aumentar a capacidade na produção de briquete verde. O investimento será de US$ 185 milhões, onde estão previstas a instalação de três novas plantas até 2023. Ao longo dos anos, caso continue a Vale decida continuar investindo, a produção de briquete verde ultrapasse 50 milhões de toneladas por ano. Dessa forma, será possível reduzir a emissão de gases do efeito estufa em 6 milhões de toneladas por ano.

Para Marcello Spinelli vice-presidente executivo de Ferrosos, “o briquete verde faz parte da linha de evolução dos produtos de minério de ferro oferecidos pela Vale ao longo de sua história, resultado de investimentos expressivos em pesquisa e inovação. Até os anos 1960, nosso produto básico era o granulado de alto teor de ferro, o lump. Com a queda da oferta do lump, implantamos as primeiras usinas de pelotização no Brasil, que permitiram o aproveitamento do minério fino (pellet feed) e seguem sendo importantes para a cadeia siderúrgica. Agora, temos o ‘briquete verde’, que vai revolucionar o processo de produção do aço”.

Ruth Rodrigues
Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.