Friday, 24 de September de 2021

Mineração do ouro acaba de ganhar projeto para aumentar sua produtividade e eliminar mercúrio

Instituto desenvolve tecnologia viáveis para mineração de ouro e eliminação do mercúrio

O mercúrio é um metal tóxico, mas diariamente encontrado na mineração do ouro. Pensando nisso, projetos mais viáveis foram desenvolvidos para criarem máquinas acessíveis para o pequeno minerador

Nessa última sexta-feira, (13), a mineração do ouro deu mais um passo importante. Por meio de um projeto que foi desenvolvido pelo Instituto Somos do Minério, que visa um aumento na produção de ouro. A proposta inicial é que a tecnologia seja acessível, mas que promova a eliminação do mercúrio no momento em que o pequeno ou médio minerador tem contato com esse elemento.

Assim, a ideia central do projeto é o desenvolvimento de um concentrador centrífugo, que possa ser viabilizado em um período de dois a três anos. Dessa forma, o grande objetivo é ajudar ao trabalhador, onde, além de uma produção melhorada, a máquina o ajude a trabalhar com uma maior segurança. Beneficiando não somente os homens, bem como, a mãe natureza.

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Como funciona o equipamento para a mineração com ouro e eliminação do mercúrio?

Na verdade, o projeto é fruto de uma invenção criada no ano de 1937, que conseguia aumentar a produtividade de quem a estivesse utilizando. Ao longo dos anos, canadenses foram adaptando e inserindo novas funcionalidades e deixando esse concentrador centrífugo mais tecnológico. No entanto, seu custo atual é de R$ 800 mil, um valor inviável para os pequenos mineradores.

Foi pensando neles e em como ajudá-los, que o Instituto Somos do Minério recriou a mesma máquina com um valor de R$ 300 mil. Segundo um dos desenvolvedores do projeto, “o objetivo de trazer a tecnologia ao alcance da realidade local, após seis anos de pesquisa e desenvolvimento chegamos a um equipamento similar”. Na verdade, o mesmo Instituto projetara um outro equipamento, que também poderia servir para ser utilizado pelos mineradores e custa somente R$ 40 mil.

Vídeo da TV Record sobre garimpo de ouro e os riscos do uso do mercúrio para a saúde dos trabalhadores e meio ambiente

No entanto, apesar de ser mais viável para o pequeno minerador, ele acaba tendo uma vida útil menor, pois é menos robusto e se desgastará mais rapidamente que o outro. Quando o ouro está sendo extraído, é bastante comum notar a presença de mercúrio. Mas, como o composto faz parte, quase como se fosse um conjunto do ouro, não deveria ser taxado como ilegal o minerador o manusear enquanto faz o seu trabalho, ressalta Amilton.

Sem recursos necessários, esses pequenos mineradores estão sempre arriscando suas vidas, afinal, o mercúrio é altamente tóxico. Para que situações piores não aconteçam com esses trabalhadores, os responsáveis pelo setor deveriam disponibilizar cursos ou palestras sobre o perigo desse metal e como seria a forma correta de manuseá-lo.

Como o mercúrio encontrado no ouro é descartado?

Nas grandes mineradoras, é comum encontrar um recuperador para eliminar esse metal do ambiente. Para Hruba, “após a agregação do composto ao ouro, é feita a queima do mercúrio dentro do recuperador, e o rejeito tem seu acondicionamento apropriado. Esse processo é feito pelo recuperador de mercúrio, para evitar que o resíduo seja eliminado e vaporizado no ambiente”.

Então, para quem trabalha com mineração em grandes empresas, o contato com esse metal é raro. No entanto, pensando no pequeno minerador, esse não dispõe de muitos recursos para se dar o luxo de uma máquina com esse porte. E novamente, o Instituto Somos do Minério está buscando formas de construir algo semelhante, para que a saúde dos trabalhadores não seja afetada enquanto eles tentam trabalhar.

Dessa forma, por mais que sejam trabalhadores experientes, o ouro junto com o mercúrio pode causar danos irreversíveis. Portanto, a mineração não funciona ou engloba apenas as empresas multinacionais nesse setor, mas sim, aqueles que trabalham nas minas desde muito tempo atrás.

Ruth Rodrigues
Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.