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Mineradora Maracá é responsável por contaminação de rio em Goiás e deverá pagar mais de mil exames a população

agosto 9, 2022 às 9:46 am
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Mineradora Maracá
Mineradora Maracá (Reprodução: divulgação)

A Mineradora Maracá deverá pagar 15.523 exames aos moradores de Campos Verdes, localizada no norte de Goiás, depois que um laudo comprovou a contaminação com metais pesados no Rio dos Bois, que é responsável pelo abastecimento de água no município.

Mineradora Maracá: A decisão foi promovida pela desembargadora Doraci Lamar Rosa Da Silva Andrade, no último dia 01, no agravo de instrumento número 5445358-09.2022.8.09.0172, que acatou a decisão do Dr. Juiz Alex Alves Lessa de manter a decisão por reconhecer o possível dano coletivo ambiental, ao que se refere a água consumida pelos moradores da cidade de Campos Verdes.

Neste sentido, o prefeito da cidade de Campos Verdes, Haroldo Naves, afirmou que a decisão é de suma importância, por resguardar a saúde pública dos moradores de Campos Verdes. Além disso, ele reiterou o seu compromisso de proteger a população e, consequentemente, deu início a esta ação, logo após o laudo da Saneago apontar que há metais pesados superiores ao índice permitido, o que permitiu a vitória da prefeitura na ação.

Um dos moradores de Campos Verdes, Leonardo Ribeiro da Silva, 30 anos, relatou estar sentindo vários sintomas, como dores nos rins, dores de cabeça, febre e gastrite. Além disso, ele afirmou que está se medicando para tratar todos os sintomas, e se mostrou triste e preocupado ao ver os resultados do laudo.

Conforme um relatório médico da Secretaria Municipal de Saúde de Campos Verdes, os cidadãos que foram diagnosticados com câncer tiveram que se submeter a acompanhamentos psicológicos. Isso porque o relatório também aponta que depois do contato com a água contaminada, há uma busca recorrente de pacientes com náuseas, arritmia cardíaca, gastroenterocolite (inflamação intestinal), entre outros sintomas e doenças.

Segundo Carlos Vaz, secretário de Desenvolvimento, Meio Ambiente e Agricultura do município de Campos Verdes, a situação da contaminação se arrasta há quatro anos no município. Ele aponta que a contaminação tem oferecido riscos à população, inclusive psicológicos.  Dessa forma, as autoridades buscarem uma fiscalização em conjunto, o que resultou numa vistoria de pontos críticos do rio, onde as contenções da Mineradora Maracá não têm sido suficientes.

Dessa forma, foi determinado à mineradora Maracá, sob pena de multa diária, a obrigação no custeio de realização de exames clínicos e laboratoriais, para verificar os níveis de metais pesados nos organismos dos habitantes cadastrados no SUS no Município de Campos Verdes/GO. A Secretária de Saúde do Município é a responsável pela ação requerida, que determinou o máximo de seis meses para custeio dos exames.

Mineradora Maracá divulga nota sobre a contaminação

Em nota, a Mineradora Maracá declarou seu apoio à ação. Confira o texto na íntegra:

*No início de julho de 2022, a Mineração Maracá Indústria e Comércio S/A, proprietária e operadora da mina de cobre-ouro Chapada (a “Companhia”), foi notificada de ação movida pela Prefeitura de Campos Verde alegando impactos ambientais e à saúde sobre a comunidade e seus moradores. Campos Verde está localizado a aproximadamente 50 km da mina da Chapada. A Companhia rejeita as alegações de impactos ambientais e à saúde e se defenderá judicialmente.

A Empresa também está fornecendo informações adicionais publicamente disponíveis sobre suas operações ao Município, pois muitas das alegações feitas parecem ser baseadas em um mal-entendido ou má caracterização das atividades e infraestrutura da Empresa, todas as quais estão devidamente licenciadas e são regularmente inspecionadas pelas autoridades estaduais e federais.

A empresa reitera seu profundo compromisso com práticas de mineração responsáveis ​​em conformidade com todas as leis e regulamentos aplicáveis ​​e está focada na gestão ambiental da água, ar, terra e biodiversidade nas proximidades da mina de Chapada.

*Nota da Mineradora Maracá.

Leia mais: Investimento alto em mineração: Mato Grosso do Sul, maior reserva de manganês do Brasil, recebe R$5 bilhões em investimentos.

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